terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ser Ou Não Ser Engajado

"E até pra morrer, você tem que existir" - Otto




Por algum motivo sem uma explicação aparente um livro que está sempre na parte da frente da minha bolsa é uma pequena versão de “Do Contrato Social” de Jean-Jaques Rousseau. Comprei-o em um sebo ha pouco mais de dois anos, coloquei-o na bendita bolsa e, por falta de outro volume que ocupasse tão bem aquele compartimento, nunca pensei em tira-lo.
Não que seja minha leitura favorita, mas ainda é menos agressivo às minha convicções do que as publicações de Thomas Hobbes e John Locke sobre o assunto - A realação do indinvíduo, o estado e a sociedade. Por exemplo, enquanto o Hobbes acreditava que o homem em seu estado natural, livre e em igualdade com seu semalhante – e compartilhando de anseios e necessidades semelhantes (muitas vezes escassas) – tenderia a a conduzir o individuo ao comportamernto beligerante. Mas o próprio Hobbes assume que o conflito desponta como um elemento não bem-vindo na equação. Vem daí que o homem abriria mão da própria liberdade irrestrita e se institui à figura do Estado como mediador das necessidades entre os individuos.
Nasce o controle.
Não se engane pela frase inicial “O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se acorrentado”. O que gosto na redação de Rousseu é que, diferente dos seus antecessores, a argumentação de “Do Contrato Social” conduz o pensamento de que que o individuo é parte integrante e indispensável do Estado.
Nasce a Política.
Esse preceito mais do que justifica a mobilização popular nos processos de transformação da ordem social, seja durante a Revolução Francesa ou na invasão da reitoria da UFBA em 2001. E digo mais, uma revolução não significa própriamente enfrentar mosquetes ou cacetetes. Quando um único e solitário homem com um pedaço de cartolina fica por 4 horas no cruzamento da Paulista com a Augusta gritando palavras de ordem contra o Banco Safra ou quando na manhã seguinte a um ataque gratuito deflagrado por alguns jovens bem abastados do Itaim contra um rapaz homossexual, depontam algumas flores na fachada do Banco Safra, isso também é revolução.
Talvez a palavra “Revolução” tenha ganhado um peso superdimensionado em nossos livros de história a ponto de quase desabonar essas singelezas. Do valor do homem único que se reconhece como parte integrante e indispensável para o funcionamento apropriado do Estado e da ordem social. Me irrita profundamente o desprezo das pessoas que, se abstém de seu papel fundamental atribuido dentro do panorama traçado Rousseau, fazem pouco daqueles que o exercem e ainda têm a pachorra de queixarem-se dos caminhos que mundo toma.
No ultimo mês cansei-me de ouvir a fina flor da classe média paulistana execrar o eleitorado nordestino por votar massivamente na Dilma como sua representante. “O que sabem esses mortos de fome sobre política e economia?” Sabem que nos ultimos 4 anos enquanto a economia dos estados do do sul e do sudeste cresceram parcos 4,5% os estados daquela região registraram índices de crescimento econômico entre 8,5% e 9%. Reparem, não falei absolutamente nada sobre programas sociais de inclusão (já que afinal de contas, quem agora cospe os maribondos, não dá a mínima), falo de produção industrial, crescimento de participação no PIB e indicadores econômicos.
O que quero dizer é que independente de seu ponto de vista, abrace-o, justifique-o, argumente-o. Ouça aquele que é seu opositor, comprenda-o, debata e respeitei-o.
Inquiete-se! Mexa-se! Exista!

8 comentários:

Gabriel disse...

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."
Não espero do mundo grandes revoluções, ainda mais com todo antagonismos da luta armada em nome da paz. Não espero por heróis ou grandes pensadores, muito menos por jovens de cara pintada, marchando nas ruas por qualquer que seja a razão.
Todo protesto hoje é reflexo da letargia e morbidez. Ninguém se mexe, se inquieta. As bundas continuaram sentadas nas cadeiras, é mais seguro e menos corajoso postar no twitter. Quem irá me atacar do outro lado do computador? Qualquer problema EU GRITO e xingo muito.
Mas vamos deixar que culpem os iletrados. Os nordestinos mortos de fome. Vamos deixar que descontem suas frustrações nos homossexuais felizes. Vamos deixar que expulsem os baianos de São Paulo.
Vamos assistir a tudo de camarote, mas vamos plantar sementes.

Anônimo disse...

eh.. essa questao de dilma foi uma beela de uma palhaçada e demonstração do quão são ignorantes e se acham espertões.

Shu Sakano disse...

Se "fina flor da classe média paulistana execrar o eleitorado nordestino" for em relação a menina que comecou a coisa toda no orkut e twitter sorry man, mas vc exagerou e generalizou. E outra, nem PAULISTANA ela era, então...

Shu S. disse...

é...aprendeu a escrever melhorne? bom pelo menos eu acho melhor agoraseus textos que seus desenhos...mas com muito treino vc chega la... Mas, a proposito...ta revoltadinho ta? ta querendomudar o mundo e? como dizia nosso bom amigo, john and paul..."don´t you know it´s gonna be all right, all righhhht..." Relax and Enjoy!

Fabrício disse...

Infelizmente cara, ouvi aquilo de AMIGOS meus. E eu sou masoquista. Depois da primeira bala de borracha, você fica esperando pelas outras.

Fabrício disse...

Gabs, és um poeta, seu cretino!

Coala Parker disse...

não lembro onde, mas li que a revolução nasce de cada um e arguntar o seu ponto de vista é protestar. sendo assim um revolucionário, por menos que seja

Gabriel disse...

Melhor maneira de combater é através da poesia. Voltemos ao romantismo, mesmo sabendo que o último trovador morreu em 1914 e hoje ninguém mais lembra seu nome.
Parabéns pelos desenhos, pela verve política e revolucionária.