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domingo, 21 de fevereiro de 2010

SaddestFuckingTruths #2



(Versão acústica, que permite um maior foco na letra. O original tá no iPad aí do lado!)
Letra

Mensageiro e mensagem: Desta feita não proveniente do Canadá, mas ainda assim tendo o país presente no nome, of Montreal é sinónimo de Kevin Barnes. Excêntrico, camaleónico e altamente prolífico, características que por si só embora não definidoras são, concordemos, bastante benéficas à composição de um génio musical. Barnes é tanto a personificação da banda como a sua força criativa exclusiva, no que na verdade trata-se praticamente de um projeto a solo. Do seu quarto para o mundo tem-nos agraciado, a um ritmo alucinante, tanto com encantadoras composições lo-fi retro de inspiração Beatle-Beach Boy-Kinksiana nos primeiros anos de carreira como com esquizofrénicas composições funkadelic indie pop glam atuais. Em comum, sempre, as exuberâncias sonoras, a torrente compulsiva de melodias, a sensibilidade e instigância no uso das palavras, formando aquilo a que alguém de forma perfeita classificou de "ADD (attention deficit disorder) music".

Cenário: Numa abrasiva solidão noturna de inverno povoada apenas por fantasmas insónicos num limbo entre o mundo onírico e o real

Porque importa: É uma expressão incrivelmente precisa da complexidade e contradição de um relacionamento em desintegração. A primeira parte do álbum "Hissing Fauna, Are You The Destoyer?" (2007) é um relato da depressão profunda e da crise do casamento de Kevin Barnes com sua esposa Nina Aimee Grøttland enquanto viviam na Noruega na sequência do nascimento da filha. "The Past Is A Grotesque Animal" foi criada precisamente após a separação temporária dos dois e é o o núcleo do próprio disco, o marco central dessa viagem interior, um vislumbre perturbante e desarmante ao seu mais profundo âmago. Num padrão aparentemente simples e repetitivo, impulsionada por uma batida pulsante sombriamente pontuada por guitarras e sintetizadores, a canção avassaladoramente progride em tensão através das confissões em verso livre de Barnes. Quando o contador atinge a marca de 11:52 e a canção chega ao fim, resta-nos apenas tentar absorver tudo o que acabou de nos ser violentamente arremessado. E fica uma certeza: estamos perante uma obra-prima.

Killer line(s): Todas? Certa vez alguém comentou que esta é provavelmente a letra mais citável jamais criada. Pode até ser excesssivo, mas não muito. Sua construção é brilhante! Assim sendo é tarefa impossível escolher apenas uma, pelo que ficam aqui algumas das mais incisivas:

"The past is a grotesque animal and in its eyes you see how completely wrong you can be"

"It's so embarrassing to need someone like I do you. How can I explain I need you here and not here too?"

"At least I author my own disaster"

"Things could be different but they're not"

"Our love project has so much potential, but it's like we weren't made for this world. Though I wouldn't really want to meet someone who was"

"Somehow you've red-rovered the gestapo circling my heart"

"I find myself searching for old selves while speeding forward through the plate glass of maturing cells"

"Sometimes I wonder if you're mythologizing me like I do you. We want our film to be beautiful, not realistic"

"I've explored you with the detachment of an analyst, but most nights we've raided the same kingdoms. And none of our secrets are physical now"

Outros disseram: "A gnawing, snarling beast of a song that eventually eviscerates all its own pop sensibility and eats itself. Both a pledge of devotion and distance ("How can I explain?/I need you here and not here too"), the song writhes and twists around a series of increasingly bleak philosophical musings and eventually culminates in a series of sarcastic “woo-oo”s and Barnes muttering the lines “Let’s just have some fun. Let’s tear this shit apart. Let’s tear the fucking house apart.” There is a dissonance there between the words that Barnes is saying and what he means, and that dissonance shimmers down through the trashcan beats and the pulsing of the blacklight. The drum machine may be popping but Barnes is just shuffling around in his chains" - M. Sartini Garner

Meta-discurso: "It's very autobiographical, it's basically like a letter to my wife. We split up for a while. It's all about our relationship and what it was like at that period in my life. All these life-changing events were going on. I'd gotten married, and we were expecting our first child, and we were living in Norway, and I didn't know how to deal with those things, because as an artist you live in your own fantasy world. So when reality hits, it hits hard. It was hard to adapt. I had a very difficult time with things. I went through a chemical depression I couldn't get out of. It affected me on all levels. I was mainly making music on my laptop as therapy, to lift me out of this horrible darkness, because I was going crazy" - Kevin Barnes

domingo, 24 de janeiro de 2010

Zooeyfilia

Nunca pensei que ter o "Yes Man" impingido a bordo do avião o ano passado fosse dar no que deu.

Já conhecia a sua voz divinal do "Volume One" de She & Him, um dos meus discos preferidos de 2008. Seu talento enquanto compositora, aliado à maestria musical de M. Ward, era mais que evidente. Assim descrevi o álbum na altura: "She & Him é muito enternecedor, escutá-los é uma viagem deliciosa ao que de melhor tinha o pop/rock dos anos 50 aos 70. E, claro, oculta sob todo aquele manto de doçura insuspeita está uma impiedosa arma de destruição massiva emocional".



Perdi a conta das vezes que na altura ouvi a faixa 5, sempre as palavras me falando muito diretamente e com um arrepio assim que a Zooey começava a entoar "I thought I saw your face today, but I just turned my head away".

Mas o visionamento do filme, ao sobrevoar o Atlântico a bordo de um avião mais que desconfortável da Iberia, foi o momento crucial. Foi então que a vi pela primeira vez e descobri que ainda havia tudo o resto!!! Não falo apenas dos olhos ou do sorriso, de cada elemento físico individualizado. Falo também do tom aveludado da voz ao falar, do som da gargalhada, do estilo de vestir, dos vários trejeitos. Falo do impacto deslumbrante e desarmante do conjunto, com todo seu charme e graça excêntrica.



Isabel Boscov colocou perfeitamente no seu ótimo texto "Ela é um sonho": "com uma beleza delicada de menina, Zooey é o tipo de mulher que costuma ser descartada como "bonitinha" por homens afeitos a atributos mais dramáticos – mas é exatamente o tipo de mulher por quem homens românticos, que olham nos olhos e que reagem a apelos como senso de humor, ou uma voz grave e cheia, se apaixonam com perdição e para sempre. (...) Zooey é, de certa forma, um ideal oposto ao de ícones como Megan Fox – a feminilidade exaltada não na forma, mas na essência."

Ganhei ainda maior admiração quando soube que estava noiva do Ben Gibbard (tendo entretanto os dois casado) da maravilhosa banda indie americana Death Cab For Cutie. Trata-se de alguém extremamente talentoso mas que foge dos padrões convencionais que a lógica do establishment do entretenimento designaria para seu par. Claro que infelizmente isso significa que quando os Death Cab vierem ao Brasil no final do ano (fingers crossed), terei que o matar para poder esposar a Zooey, mas isso são apenas incidências menores.

Na sua filmografia, embora encaixe tipicamente nos papéis de "Manic Pixie Dream Girl", já assumiu facetas tão diversas como a de uma adolescente problemática em Mumford (2000), uma insegura e traumatizada vítima de estupro em Manic (2001), a contemplativa Noel de All The Real Girls (2003) ou uma cantora/dançarina noturna em The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007). E como pode qualquer nerd de plantão esquecer que foi precisamente ela quem interpretou Tricia McMillan (ou Trillian Astra) na adaptação cinematográfica de 2004 do essencial The Hitchhiker's Guide To Galaxy?


No (500) Days of Summer voltou a um papel MPDG, mas invertendo a lógica típica de relacionamento hollywoodiano homem-mulher e dotando a personagem de uma complexa impenetrabilidade. No fundo e por mais clichê que tudo isto seja, todos temos tanto de Tom como de Summer consoante o momento específico em que nos encontramos. A identificação com as situações retratadas foi tão profunda que, após ver o filme pela primeira vez, tive que dizer: "500 Days of Summer e Zooey Deschanel, obrigado por arruinarem a minha vida".

Nos seus projetos futuros na tela grande estão "Your Highness", comédia fantástica em que contracenará com James Franco e Natalie Portman (quem como eu tiver as duas no seu top, pode também começar a secreção de saliva), e, rumores indicam, um filme sobre a vida de Janis Joplin dirigido nada mais nada menos do que por Fernando Meirelles. A confirmar-se, será de resto o seu grande desafio da carreira de atriz até ao momento.


No campo musical, o segundo disco em colaboração com M. Ward, "Volume Two", será lançado no dia 23 de Março. Mas já é possível ouvir o primeiro single, "In The Sun", maravilhoso como sempre.

De resto, como resistir a uma garota que além de tudo diz que seus momentos de auto-indulgência prazerosa consistem em ler um exemplar do "New Yorker" enquanto come amendoins cobertos e cita "This Will Be Our Year" dos The Zombies como a música que quer que toque no seu funeral?

Zooey, é profundamente errado tanta sublimidade junta! Elevas nossos padrões masculinos a níveis absurdos... Fazes-me regredir à mais primária "infatuação" adolescente... E esta grave maleita tem um nome: Zooeyfilia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SaddestFuckingTruths #1

A ideia já havia sido abordada há muito tempo com os meus caros amigos co-autores. Há ainda mais tinha brotado em meio a diversas conversas e desabafos de mesa de bar. Passada toda aquela extensa fase de protelação que habitualmente medeia as minhas decisões e a sua posta em prática, chega a hora de desvendá-la. Conheçam pois a nova rubrica do blog: SaddestFuckingTruths.

O conceito é bem simples e nada original: apresentar algumas das canções da história da música que de forma mais intensa expressam toda a extensão dos esquizofrénicos relacionamentos humanos. Sim, isso quer dizer que elas são tristes (por vezes até cruéis), mas distinguem-se das enxurradas de criações de sentimentalismos bacocos que são um mero desfiar de banalidades mimimis.

O material aqui apresentado é acima de tudo verdadeiro, advindo da realização do que é simplesmente a vida acontecendo, de um esmorecimento absoluto e incontornável, aridamente entorpecedor, e nisso reside a força de cada uma dessas canções como verdadeiras kalachnikovs emocionais. Avisamos desde já que não nos responsabilizamos por quaisquer danos causados pela audição destas melodias em conjunto com a interiorização destas letras, ok?

Feita esta prolixa introdução, passemos ao nosso primeiro case study:

"The Last Time I Saw Richard" de Joni Mitchell

Joni Mitchell - The Last Time I Saw Richard .mp3


Found at bee mp3 search engine
Letra

Mensageira e mensagem: Vinda do Canadá, terra privilegiada no que toca a artistas que sabem das coisas, Joni Mitchell é uma das grandes cantautoras do século XX. Sua magnum-opus "Blue" (1971), da qual esta canção é a faixa de encerramento, é toda ela um compêndio das distintas nuances de um relacionamento e seus vários estágios.

Cenário: Num canto mal iluminado de um bar ou boteco da vida, nas horas perdidas da madrugada.

Porque importa: Auto-confronto entre um cinismo assumido mas que é sempre imbuído de uma ilusão a que não se consegue escapar. Richard, mesmo enquanto faz a sua diatribe, acaba colocando "doces canções de amor" na jukebox sem sequer se aperceber. No fundo, apesar da desilusão, a crença em algo mais continua presente, manifestando-se numa tentativa de auto-convencimento que embora débil é pela sua mera existência uma forma de redenção: "All good dreamers pass this way some day, hidin' behind bottles in dark cafes dark cafes. Only a dark cocoon before I get my gorgeous wings and fly away. Only a phase these dark café days".

Killer line: "All romantics meet the same fate someday: cynical and drunk and boring someone in some dark café".

Outros disseram: "The last song off of Joni Mitchell’s "Blue", has the most crushingly sad lyrics I have ever heard. I remember how after I had first experienced what it was like for life to be that devastating after the loss of love, this song really resonated with me. When she says, “Richard got married to a figure skater and he bought her a dishwasher and a coffee percolator” it communicates how tragic it is when great loves leave/settle for mediocrity, or maybe life just becomes mediocre. That song truly has been a soundtrack to a lot of the most poignant parts of my life." - Marissa Nadler

Meta-discurso: "There's hardly a dishonest note in the vocals. At that period of my life, I had no personal defenses. I felt like a cellophane wrapper on a pack of cigarettes. I felt like I had absolutely no secrets from the world and I couldn't pretend in my life to be strong. Or to be happy. But the advantage of it in the music was that there were no defenses there either." - Joni Mitchell

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um acarajé, na moral (Parte 3)*

* Ou o desfecho da trilogia

O dia havia começado cedo pra mim. Ou melhor, semi-começado.

Apontava o relógio poucos minutos depois das seis da manhã quando acordei, sem nenhum motivo ou necessidade, tendo estado em companhia de Morfeo por apenas umas três horas. "Fantástico", pensei para comigo. Num domingo de manhã, de todos os dias.. "Muito obrigado, organismo desequilibrado!"

Ainda insisti e tentei retornar ao outro lado, mas foi em vão. Estava agitado e não tinha como... Rendi-me então e aproveitei o crepúsculo para me submergir na leitura e na música.

Bem sei que não é das companhias mais animadas para um começo de domingo, mas o "Blood On The Tracks" serviu naquele momento como bálsamo catártico de que precisava. "Então era isso que querias, maldito? Uma dose de Dylan? Ok, ok... Tudo bem, é compreensível, não te censuro". Então, após o Bob me falar diretamente por maravilhosos 51 minutos e 42 segundos, pude finalmente adormecer outra vez.

Quando acordei novamente, passando das 11 horas, minha primeira reação foi achar que tinha sido teletransportado para o Deserto do Saara! "Ou então morri e estou sendo contemplado com todo o quente esplendor dos infernos!"... Pós-imediatamente, apercebendo-me que nenhum dos cenários era real, apenas o insano clima paulistano pregando das suas, assaltou-me uma necessidade incontrolável de beber algo bem gelado e de comer alguma iguaria fora dos meus hábitos alimentícios regulares.

Lembrei-me então que fazia já um tempo que a congregação alfacinha-soteropolitana falava de retornar à Rota do Acarajé, casa de comida baiana aqui nos nossos redutos da Santa Cecília. Pois nem por acaso: entro no Twitter e vejo o que o Paulo Márcio acaba de anunciar: "Parece que está rolando uma vontade coletiva da comunidade nagô de comer um acarajé paulistano... #meda" Total transmissão coletiva de pensamento!

Rapidamente me preparo, saio de casa e quando dou por mim estamos já reunidos diante da Rota. Pegamos logo uma gelada, cujo primeiro gole tem em si todo o deleite existencial que só a fiel amiga etílica pode proporcionar. O resto fica por conta mesmo da presença dos companheiros expatriados e da cumplicidade daí advinda.

Desprovido dos receios por eles cultivado face ao facsimile paulista de acarajé, me entretive a compreensivamente presenciar a sua angústia ao se debaterem com o apelo saudoso da comida da terra natal. Sei bem como é! Quantas vezes já não fui assaltado por desejos de um delicioso pastel de Belém acabado de sair do forno, só para me confrontar com os ignóbeis folhadinhos de baunilha que criminosamente por aqui ostentam seu nome? Não é fácil, gente!

Mas no fim, venceu mesmo a imbatível combinação gula+saudade. Já com o Gabriel presente, todos empunhando garfo e faca, tratamos de devorar os nossos acarajés. Para mim, comer caruru tem toda uma significância especial, extra-culinária, pois transporta-me diretamente à minha infância, em São Tomé e Príncipe, onde condecorei o prato com o grandioso epíteto de "manjar dos deuses".

Assim foi fluindo a tarde, entre dendê, pimenta, cerveja e conversação descontraleatoriamente divertida. No final, tive que abandonar os restantes companheiros mais cedo, mas por uma "causa justa", como com toda a precisão colocou o Fabrício.

E o domingo terminaria escoando para uma noite preciosamente leve.

domingo, 26 de julho de 2009

FMI - Panegírico, pro-lírico daqui



(letra)

Há obras que nos tocam, que nos marcam. É recorrente e natural. Criações com a ímpar capacidade de comunicarem directamente à nossa alma e se adentrarem profundamente em nós.

A música de que vou falar a seguir é para mim uma dessas obras. Ainda me recordo do dia em que a ouvi pela primeira vez... Há sensivelmente cinco anos atrás. Estava numa fase de descoberta da discografia de José Mário Branco, uma das grandes figuras artísticas portuguesas da segunda metade do século XX.

Primeiro, vi o título: "FMI". Aguçou-me imediatamente o interesse e não pude evitar esboçar um sorriso, antevendo a irónica e mordaz desconstrução que aí viria. Uma dessas paródias político-sociais tão acutilantes, bem características do Zé. Mal sabia o que me aguardava!

Pois bem, coloquei então o disco para tocar.
Escutei...
Vinte minutos passaram...
O CD parou de rodar.

Eu, num estado de completa perplexidade... Perfeitamente avassalado, tentando absorver a torrente que acabara de me atingir. Passara por todos os espectros das emoções humanas ao longo daquele tempo. Da mais genuína hilaridade à mais pungente das melancolias.

De FMI, composta em 1979 (5 anos após o 25 de Abril), se diz muitas vezes ser "a obra síntese do movimento revolucionário português, com seus sonhos e desencantos". É isso, sem dúvida, mas é muito mais.

É a expressão mais verdadeiramente precisa:

Do mundo atual, em geral: "Entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá!"

De ser português, em particular: "Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né?"

Do mais globalmente político: "É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti. (...) E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada."

Ao mais reconditamente íntimo: "Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo".

Do ser humano na sua plenitude.

Há obras que nos tocam, que nos marcam. E há outras que logram ir ainda mais além. Que têm o raro condão de nelas conterem o âmago do artista entalhado e projetado para a essência coletiva da nossa existência. Que passam a nos pertencer a todos. Como FMI.


"Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez."

domingo, 10 de maio de 2009

Bando de louco?

Só se for o consituído pelos baianos, japoneses e luso-gaúcho que foram hoje ao Pacaembu ver o curíntia x Inter, na torcida Colorada. Isso, sim, é comprovadamente insanidade!

E convenhamos, gente, time que em estréia de Brasileirão em casa, após ser campeão estadual invicto, só coloca 15 mil pessoas no estádio, devia ter vergonha na cara... Isso é que é torcida fanática e fiel??? Se é esse tipo de fidelidade com que o Tim(inh)ão conta, fica no ar a indagação sobre o que seria se o clube fosse assumidamente corno...

De resto, fica a alegria de uma vitória, mesmo tendo feito um jogo fraco. E, claro, ter presenciado in loco à obra-prima protagonizada pelo Nilmar!

domingo, 26 de abril de 2009

Semi-luso na megalomanópole

Eis que é então chegada a minha hora perante a nossa mui ilustre e numerosa audiência, sempre sequiosa de mais postagens. Cabe-me a árdua tarefa de suceder ao Fabrício e ao Paulo, mas vamos lá!

Antes de mais, a modos que creio ser de boa educação algum tipo de apresentação (do tipo, quem é este que pomposamente vai despejar tanta besteira por aqui), despudoradamente surripio palavras que anteriormente já estendi por outras pastagens cibernéticas. Vamos a isto! Quem sou eu, então?

Um projecto multi-cultural, co-produção portuguesa e brasileira, concebido em África (Guiné-Bissau), vindo ao mundo em Portugal (Lisboa), descendente de uma gaúcha e um luso-cabo-verdiano, com pózinhos ancestrais vindos de Itália e da Índia. Presentemente existindo na insanidade fantabulosa da capital paulista.

E foi precisamente neste cenário, no coração de Sampa, que os caminhos dos mancebos responsáveis por este blog se cruzaram. Muitas coisas nos aproximaram, a música, o cinema, o futebol, a comunicação, os botecos, mas em comum, acima de tudo, está a nossa "expatriação". O grupo alargado de amigos é uma autêntica república de exilados luso-gaúcho-baianos. Nela, mesmo os integrantes paulistanos compartilham da profunda condição de exilados da alma.

Nos meus gostos e traços de maior destaque encontram-se a melomania obsessiva-compulsiva, a protelação activa permanente, a arlequinada pseudo-intelectual aplicada (vejam só este post) e o nefelibatismo ideológico-sentimental. Basicamente isso... Ah, e também erudição improfícua em trivialidades, o meu forte! Nada disto faz sentido? Claramente que não!

Portanto, por aí, já podem antever um pouco do que vos espera por aqui. Este blog surgiu de uma brincadeira relativa a uma ida a pé até ao Canadá. Como alternativa face à impossibilidade da concretização física dessa empreitada, fiquem com a gente através destas deambulações e devaneios.

Verborreia sobre tudo e sobre nada! Satisfação não garantida! Tenham medo, muito medo...