quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Crise dos Trinta

Eu até pensei em fugir com algum pelotão de partida para Vladivostok, mas fiquei com medo de pegar em armas. Tem sempre algum exercito - ou dois, ou três - tentando tomar o Alaska. E como muitas coisas na minha vida, não que eu tenha feito por mal, apenas não fiz.

Das resoluções da aurora do ano eu fui me esquecendo e quando acordei já era amanhã. Não comecei absolutamente nada das coisas que me prometi e já finda o Janeiro. Ontem me peguei olhando as horas enquanto via o noticiário - sobre um país sumiu debaixo da terra e uma cidade sumiu debaixo d'água - e não fiz nada do que disse que faria a respeito de coisas assim no meu tempo de jogar WAR e calçar Kichutes.

Tempos atrás, antes de mandar minha mãe à merda com a cidade que eu deixei, eu fiz projeções equivocadas sobre o sucesso - construídas sobre variáveis inconstantes e nebulosas - e agora, aflitíssimo, olho pro mundo em terceira pessoa como quem assiste televisão enquanto caminha numa esteira de academia.

Me doem as pernas mas nem saí do lugar.

Dudu me falou sobre isso uma vez enquanto ele dirigia. De uma forma bem resumida, os trinta anos sufocam os sonhos e os sonhos são o predador do homem adulto. As minhas decisões se equilibram entre as metáforas - de dormir ou ficar acordado - e enquanto o tempo passa, acho que nem durmo, nem caminho.

Mas talvez seja apenas questão de trocar a marca dos meus tênis e do colchão.



8 comentários:

Francisco disse...

Ainda nem chegaste aos trinta, salafrário!!!

Mas agora a sério, embora nunca tenha sido dado a projeções sobre sucesso, entendo totalmente quando dizes de maneira perfeita: "olho pro mundo em terceira pessoa como quem assiste televisão enquanto caminha numa esteira de academia".

Ainda no outro dia ouvia uma música que dizia "It's such a burden to carry 'round the vestiges of dead dreams". E isso aplica-se a todos os "compartimentos" da vida, não é mesmo?

Gabriel disse...

Meu bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber.
Olhar o mundo em terceira pessoa, de fato, nos coloca diante do espelho fazendo a mesma pergunta: "o que eu estou fazendo da vida? Eu não tenho um cachorro, nem virei piloto de avião ou bombeiro."
Daí escrevemos. Há melhor maneira mais agradável de ignorar a vida?
Mas nunca esqueçam dos seus sonhos, nunca sabemos quando vamos precisar deles.

Anônimo disse...

Quando vamos tirar essas fotos bizarras do nosso perfil? E esse Ipad gigante ai..

Francisco disse...

hahaha iPad!

Pô, eu coloquei esse porque era o menos monstrengo lá do Mixpod que permitia puxar músicas do YouTube. Os senhores do design que entrem lá e vejam o que acham melhor!

Anônimo disse...

hahahaha

Gabriel disse...

A retirada das fotos do perfil é para esconder nossas caras Balzaquianas?

Anônimo disse...

Agora sobre seu post: tem assunto melhor pra falar não, feladap***!

Eder Galindo disse...

fabrício,

acabei de fazer 29. os 30 estão chegando e estou na terapia, a careca aumentou, o corpo não corresponde mais ao espírito boêmio, mas a alegria continua.

claro que ainda não estou onde pretendo chegar, mas vou aos poucos encontrando o meu sucesso pessoal no dia a dia. o profissional é consequência disso. deste último, ainda estou longe de ter a felicidade plena. sou como nazi, "eu quero sempre mais".

vamo nessa que a gente bota pra fuder! ou você não é bahea, porra?

saudades,
marcelo nova