quarta-feira, 7 de julho de 2010

Jonas Salva o Amor



Uma vez a cada 15 dias eu participo de trabalho voluntário com crianças de 6 a 11 anos na praça Emília Barbosa Lima, em Pinheiros. A idéia é bem simples e bacana - consiste em integrar crianças com situações econômicas diferentes em atividades comuns (O mundo é uma porcaria, mas você não tem obrigação de saber disso antes de entrar pro ginásio).


Mas nesse ano e meio eu reparei em outro aspecto comum entre essas crianças. Na verdade é sobre um traço bem inerente ao nosso tempo - A volatilidade dos laços dos relacionamentos. Pai e mãe não são mais um casal. Como explicar pra uma criança de 7 anos que eles ainda são "pai" e "mãe" ?


Aconteceu com duas crianças do núcleo que eu tomo conta, e desse exercício - E da babação de ovo pela obra de Maurice Sendak (Where the Wild Things Are, Os Sete Monstrinhos) - surgiu a idéia de um livro infantil chamado "Jonas Salva o Amor"


A minha oficina é a de desenho e pintura, e eu tenho uma teoria que a capacidade cognitiva de uma criança se expressando atravez de um desenho é infinitamente mais rica e completa que uma obra do Tolstói (tá lá o Alejandro Jodorowsky que não me deixa mentir).


É o velho "Entendeu ou quer que eu desenhe?"


Pode parecer uma desculpa cretina e pretensiosa pra voltar a ter o desenho como uma fonte de sustento mas, a medida em que os esboços vão saindo, eu vou ficando cada vez mais obcecado (e desesperado por um editor) pelo conceito do livro.



O primeiro esboço de Jonas. Feito com giz de cera.




Jonas tem 7 anos, uma irmã de 2 e um porquinho-da-índia. Ele também (acredita que) é um feiticeiro poderoso e viu no canal secreto da TV do seu quarto que o amor do coração de seus pais havia sumido. Apavorado com a ideia de perder os pais, Jonas lidera o trio em uma expedição através do mundo-invisível-que-nenhum-adulto-vê-mas-a-entrada-fica-debaixo-da-cama-nova-da-joana em busca do amor desaparecido. Até ele descobrir com o grande porcão da índia (mestre do seu porquinho) que esse amor não pode ser salvo. Mas o amor que ele temia perder fica escondido em outro canto do coração e não pode ser roubado.


A idéia é que o livro fique pronto até o fim do ano e pra isso conto com ajuda de dois grandes colaboradores o Ronei e a Rose ("Não somos parentes"). Não pretendo fazer como Spike Jonze e criar um blog pra mostrar os progressos do projeto. Ia ser forçar demais a barra, então não se preocupem com isso.


Mas se a partir de hoje eu começar a "aputar" mais na hora da cervejola com o galerê, vocês já sabem o que é.



Abracetes, Fabrício.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal. Parabéns! Apoio total à sua empreitada - um passo de cada vez. Mas prometa que não vai sobrar para a pobre cerveja, que só vai te ajudar...

Vitor Dauster disse...

Gostei bagaralho da idéia. Promete!