segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SaddestFuckingTruths #1

A ideia já havia sido abordada há muito tempo com os meus caros amigos co-autores. Há ainda mais tinha brotado em meio a diversas conversas e desabafos de mesa de bar. Passada toda aquela extensa fase de protelação que habitualmente medeia as minhas decisões e a sua posta em prática, chega a hora de desvendá-la. Conheçam pois a nova rubrica do blog: SaddestFuckingTruths.

O conceito é bem simples e nada original: apresentar algumas das canções da história da música que de forma mais intensa expressam toda a extensão dos esquizofrénicos relacionamentos humanos. Sim, isso quer dizer que elas são tristes (por vezes até cruéis), mas distinguem-se das enxurradas de criações de sentimentalismos bacocos que são um mero desfiar de banalidades mimimis.

O material aqui apresentado é acima de tudo verdadeiro, advindo da realização do que é simplesmente a vida acontecendo, de um esmorecimento absoluto e incontornável, aridamente entorpecedor, e nisso reside a força de cada uma dessas canções como verdadeiras kalachnikovs emocionais. Avisamos desde já que não nos responsabilizamos por quaisquer danos causados pela audição destas melodias em conjunto com a interiorização destas letras, ok?

Feita esta prolixa introdução, passemos ao nosso primeiro case study:

"The Last Time I Saw Richard" de Joni Mitchell

Joni Mitchell - The Last Time I Saw Richard .mp3


Found at bee mp3 search engine
Letra

Mensageira e mensagem: Vinda do Canadá, terra privilegiada no que toca a artistas que sabem das coisas, Joni Mitchell é uma das grandes cantautoras do século XX. Sua magnum-opus "Blue" (1971), da qual esta canção é a faixa de encerramento, é toda ela um compêndio das distintas nuances de um relacionamento e seus vários estágios.

Cenário: Num canto mal iluminado de um bar ou boteco da vida, nas horas perdidas da madrugada.

Porque importa: Auto-confronto entre um cinismo assumido mas que é sempre imbuído de uma ilusão a que não se consegue escapar. Richard, mesmo enquanto faz a sua diatribe, acaba colocando "doces canções de amor" na jukebox sem sequer se aperceber. No fundo, apesar da desilusão, a crença em algo mais continua presente, manifestando-se numa tentativa de auto-convencimento que embora débil é pela sua mera existência uma forma de redenção: "All good dreamers pass this way some day, hidin' behind bottles in dark cafes dark cafes. Only a dark cocoon before I get my gorgeous wings and fly away. Only a phase these dark café days".

Killer line: "All romantics meet the same fate someday: cynical and drunk and boring someone in some dark café".

Outros disseram: "The last song off of Joni Mitchell’s "Blue", has the most crushingly sad lyrics I have ever heard. I remember how after I had first experienced what it was like for life to be that devastating after the loss of love, this song really resonated with me. When she says, “Richard got married to a figure skater and he bought her a dishwasher and a coffee percolator” it communicates how tragic it is when great loves leave/settle for mediocrity, or maybe life just becomes mediocre. That song truly has been a soundtrack to a lot of the most poignant parts of my life." - Marissa Nadler

Meta-discurso: "There's hardly a dishonest note in the vocals. At that period of my life, I had no personal defenses. I felt like a cellophane wrapper on a pack of cigarettes. I felt like I had absolutely no secrets from the world and I couldn't pretend in my life to be strong. Or to be happy. But the advantage of it in the music was that there were no defenses there either." - Joni Mitchell

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito foda. Só a sua voz já nos passa uma melancolia desmedida. E afinal, todos nós temos "these dark café days"...

Gabriel disse...

Apesar da beleza dos versos, Seasons in The Sun do Terry Jacks é foda. Cantar literalmente a morte.