sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

10 Minutos com Ela

Mais uma semana se passava e a vontade de voltar para casa era grande. O trajeto do trabalho até minha casa náo é rápido. A distância Moema-Centro costuma ser cruel, com longos engarrafamentos e a paisagem caótica da Avenida 23 de Maio inundanda por carros famintos. Resolvi, então, fazer uma rota alternativa e vir por um caminho totalmente diferente do usual, coisa que não faria em tempos de não férias escolares. Aqueles poucos minutos antes das dezoito horas valeram a pena e o ônibus logo apareceu.
 
E foi no início da Avenida Brasil que ela apareceu. Pela janela avistei seus cabelos de fogo e sua pele branca de neve. Fiquei a olhar por alguns segundos, imaginando que ela entraria no ônibus. E foi o que aconteceu. E o quanto mais ela se aproximava o meu coração acelerava. Estava finalmente provado: ela era perfeita.

Ela me olhou e viu que não conseguia tirar o meu espanto do rosto. Ela ficou em pé, longe, um pouco acuada, como se todos estivessem admirando seus traços perfeitos. Mas não estavam. Era apenas eu e mais ninguém. E alguém que se atrevesse a tal feito! Ela era minha...

Nossos olhares se cruzaram diversas vezes. Quando ela não estava olhando, eu estava, e viceversa. Ela sabia. Ela sabia! Pensei em mil coisas. Um beijo, um carinho, amor, sexo, filhos. Tudo o que poderia ter se tivesse a coragem de ir até ela.
 
Pensei em fazer alguma coisa. "Mas o que fazer... sei lá! Qualquer coisa! Vou descer também". Foi então que ônibus parou e a perdi pela Rebouças. Um pavor sub-humano me manteve grudado na cadeira. E, enquanto ela se distanciava, meu coração desacelerava e eu ia voltando ao normal, desejando que, quem sabe um dia, alguém pudesse sentir o mesmo por mim, mesmo que somente por 10 minutos.

4 comentários:

Francisco disse...

Esses fatídicos encontros fugazes nos transportes... E é sempre esse desespero do "alguma coisa", "qualquer coisa".

"Pavor sub-humano" descreve perfeitamente. Lembras dos meus episódios na Livraria Cultura? Pois é.

Anônimo disse...

Pois é... hehehehe
Não sei o que é pior: não fazer nada ou fazer "qualquer coisa" e pagar mico... FAIL

mel disse...

os amores breves de transportes públicos são com certeza os mais emocionantes, só por esse fator incapacidade-de-fazer-alguma-coisa

Gabriel disse...

Para sabermos o momento exato da paixão, precisaríamos apenas de um termômetro, pois a temperatura dos nossos corpos aumenta vários graus. Quero saber quantos tiveram a coragem de ir até lá. De encontro ao fim. Eu tive.