Derrepente eu me questionava sobre uma certa tendência à aspereza.
Foi quando eu já não via mais aquele amargo dos ultimos dias e, daquele instante até agora, na minha boca há um gosto doce que não o do tabaco.
Ao abrir novamente o primeiro tomo da obra de Cervantes dentro do vagão já era outra vez gentil com o mundo e, imerso em uma arrogância boa, me convenci de que cabia a essa minha gentileza tardia prover de boaventurança tudo aquilo que eu alcançava com os olhos.
Então passei a dar trela às pequenezas que espoletavam ao meu redor até me sentir frustrado pela vida que me rouba os fones de ouvido.
Saindo do metrô comecei a tatear a bolsa da frente da mochila por um maço de cigarros e, antes de alcançar o isqueiro lá pelo segundo lance de escadas do acesso à estação, notei um par de crianças tentando abrir uma garrafinha de suco.
Torci a tampinha até o lacre romper e sem esperar qualquer aceno fui embora sem querer fumar mais nenhum cigarro naquele dia.
2 comentários:
Muito legal, Fabricio. O dia-a-dia nos trás uma quantidade infinita de inspirações, seja algo de proporções gigantescas, quanto a coisa mais banal...
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